Sem corantes, aditivos ... apenas conservando.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

CHIADO

À sua frente *, no largo, tem um frade putanheiro que há para cima de três séculos fez versos jocosos e que agora chora diarreia de pombas pela cara abaixo, sentado num pedestal. Chiado, é dele que se trata. Ninguém lhe dá atenção, mas o homem, além dos versos, foi imitador de vozes e valdevinos ao desbarato.
Diz-se.
O mais estranho é que, apesar de versejador menor e muito provavelmente corrupto, este frade escorpião viu-se passado a monumento de praça e de eternidade sem que ninguém saiba porquê e o seu nome ficou no mapa como a maior referência cultural e mundana do país.
In "Lisboa Livro de Bordo Vozes, Olhares, Memorações", de José Cardoso Pires
* Fernando Pessoa

8 comentários:

paulofski disse...

Dá gosto sentir o vosso gosto pela cultura e magia da nossa capital.

Filoxera disse...

Verborreia certeira, ironia malandra, fotgografia exacta, inspiração sublime.
Beijos.

al disse...

Um local mítico da capital.

Precious disse...

Já me tinha interrogado sobre quem era o sujeito retratado na estátua, agora já sei.
FP escreve bem, o malandro, mas o Eça continua a ser o maior.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá, bela fotografia....
Beijos

Vieira Calado disse...

Ele há cada um!...

Saudações.

Lúcia disse...

A Lisboa... castiça.:)

Antonio saramago disse...

O Chiado, sim senhor... é muito bonito, mas assim com tanta merda de pombo?

Os que me fotografam

Medidor de fotoginia